Edicões Gambiarra Profana/Folha Cultural Pataxó




"Minha Poesia não usa vestes para se camuflar, é livre e nua" (Arnoldo Pimentel)

"Censurar ninguém se atreverá, meu canto já nasceu livre" (Sérgio Salles-Oigers)

"Gambiarra Profana, poesia sem propriedade privada, livre como a vida, leve como pedra em passeata" (Fabiano Soares da Silva)

"Se eu matar todos os meus demônios, os anjos podem morrer também" (Tenneessee Williams)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

MAR E A ROSA



                                        MAR E A ROSA

“Censurar ninguém se atreverá, meu canto já nasceu livre” (Sérgio Salles-Oigers)

Dê vida de verdade à sua poesia, leve-a para passear em Centro Culturais, Escolas ou qualquer espaço onde a poesia possa realmente viver e ser livre. (Arnoldo Pimentel)

Poesia na Calçada, projeto Gambiarra Profana
Gambiarraprofana.blogspot.com

MAR E A ROSA
As ondas quebravam banhando-se na areia iluminada pela pouca claridade da lua, a praia estava deserta, entre a praia e a pequena elevação coberta de verde, um calçadão e uma estrada que hora ou outra era iluminada por faróis de algum automóvel que por ali passava, o vento levantava um pouco de poeira, que não chegava a esconder o mar, que parecia um pouco agitado naquela hora da noite, algumas palmeiras ilustravam a paisagem do calçadão, uns poucos banco e mesas de pedra para descanso ou outro passatempo que quase nunca eram usados. O automóvel preto com faróis baixos, cortava vagarosamente o vento, parecia estar escolhendo algum ponto para estacionar e na altura da quinta palmeira parou silenciosamente, a porta foi aberta e uma mulher jovem, pele morena clara, cabelos longos, um pouco magra e estatura mediana desceu, estava vestida com um vestido preto, não muito apertado, até um pouco acima do joelho, deixando um pouco das pernas à mostra, com uma rosa vermelha na mão, fechou a porta do automóvel com as chaves dentro e vidros fechados, caminhou lentamente para a praia, estava descalça e foi brincando de levantar a areia, olhou a lua, mandou um beijo, acenou um adeus para um barco que navegava lá no horizonte. A rosa estava em suas mãos e tinha os espinhos, ela levou-a até a altura do peito e esfregou os espinhos levemente por cima do vestido preto não muito apertado, os espinhos rasgaram o vestido e seu corpo e uma pequena mancha de sangue tocou o vestido preto, seus seios estavam arrepiados pela friagem, pelo toque do vento que vem do mar, seus mamilos pareciam querer furar o frágil tecido preto do vestido preto não muito apertado, ela chegou até a beira mar e caminhou sentido a água verde noturna do mar, virou de frente pro mar, sendo iluminada pela lua, cabelos ao vento, olhar distante e um sorriso nos lábios, esquecendo o lamento. Seus lábios não tinham marcas de batom, nenhuma maquiagem no rosto, abaixou-se e colocou a rosa na água verde noturna do mar, empurrou-a com os dedos, depois levantou-se, olhou o peito manchado de sangue e nem mesmo se importou, apenas olhou. Tem apenas um mar à sua frente, um mar na noite, logo ali onde termina os passos na areia,logo depois da ponta dos ventos que balançam seus cabelos. Despiu seu vestido preto não muito apertado e agora tem apenas um mar de águas verdes na noite, depois de despir o corpo nu de tanta espera, depois que a noite abrandou o leito, depois que a solidão se aqueceu na brisa, para invadir sua alma despida, sentida, quase sem vida, tem apenas uma solidão no mar vestido de preto, tem apenas esse mar que morrerá na noite vestido de preto e não há outro jeito. Olhou o mar, um olhar de leve e ficou sem jeito e então seguiu rumo ao fundo do mar de águas verdes, devagar, o mar foi engolido-a aos poucos, como se estivessem fazendo amor, bem devagar, até que ela, nua, ávida de amor, de dor sem seu vestido quase preto, foi em busca dos seus sonhos e desapareceu na noite, no fundo do seu mar, deixando apenas o automóvel preto, trancado com as chaves dentro na beira da estrada e o vestígio da solidão que não deu em nada.

27 comentários:

  1. Boa noite, Arnoldo!
    Gostei muito do que li.
    Beijo,
    Mara

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  2. Nossa!Que profundo!
    Adoro o mar a noite mas sem o vestigio da solidao!

    Sempre um encanto te ler!

    Parabens amigo,pelas belas leituras que sempre proporciona!

    Beijo grande

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  3. Arnoldo.. adorei seu conto. Profundo, forte, cheio de sentimentos..sensual..
    Muito bom mesmo!!
    Parabéns!!
    Um bJ
    Ma

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  4. Linda música para acompanhar o post!
    BjO de flor!

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  5. Que belo conto, Arnoldo!

    O mar, a brisa e a dor da entrega... perfeitamente poético!

    Um grande abraço

    Deus seja contigo

    Fragmentos
    http://bomruim2.blogspot.com/

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  6. Querido amigo, lindo e sensual conto. Adorei. Te agradeço pelo carinho em meus blogs. Beijocas

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  7. Olá Arnoldo,
    Adorei ler. Acompanhei cada ato descrito, como se lá estivesse.
    Parabéns pela magia da escrita.
    Abraço.

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  8. Bom dia!
    Um conto sensual e lindo em todas as linhas, triste também, dolorido e perdido no nada de alguém que tinha tudo e mais um pouco dentro de sua solidão. Um desperdício de sentimentos!!
    Beijos e bom dia!
    Carla

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  9. Uma entrega assim é despir-se de tudo e mergulhar na emoção que inunda o coração!
    Lindo demais!

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  10. Que lindo... deliciosamente, perdi-me!

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  11. A profunda solidão do mundo dentro desse mar de buscas.

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  12. lindo arnoldo adorei teu texto poetico,
    profundo,poesia é o perfume mais suave mais doce mesmo que seja forte,vibrante,cala na alma
    um abraço meu amigo tenha uma linda noite
    um abraço marlene

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  13. Olá amigo!

    Hoje estou passando especialmente para trazer o meu carinho e lhe deixar um presente para esse espaço poético nota mil.

    Muito Obrigada por dedicar um pedacinho do seu tempo para estar comigo em nosso cantinho!

    Um grande beijo da amiga Lu

    http://selosdoblogdalu.blogspot.com/2011/06/mais-um-lindo-presente.html

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  14. Consegui imaginar toda a cena... desde da chegada até a partida... As vezes me vejo assim,... perdida na beira do mar.
    Lindo adorei. bjs

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  15. Um conto rodeado de poesia, doce, forte, profundo, triste também... mas cheio de beleza encantadora do mar... um mar de profundezas, buscas e mistérios...

    Abraço! Su.

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  16. Maravilhosamente poético!

    Um abraço.

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  17. Um conto tão triste,mas ela deve ter tido lá suas razões para se entregar para o mar...
    Beijos e boa noite!

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  18. A música deu um toque todo especial às suas palavras...

    Muito belo, como sempre, caríssimo Arnoldo.

    Beijos, Misunderstood.

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  19. Lindo! Muito lindo, profundo de uma sensibilidade enorme...toca a alma.
    Amei!
    Parabéns, escreve muito bem ...com o coração!
    Tudo de bom para você.

    Muito obrigada por tudo.

    Beijos

    Marion

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  20. Estava com saudades de suas palavras, meus dias sem ter o que dizer me tirou ate gosto por ler. mais volto e aos poucos recupero o que perdir..


    bjs Insana

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  21. Meu Deus que riqueza de texto. Triste e delicado nas palavras, na imagem refletida através delas. Amei. Beijinhos carinhosos para ti meu amigo e uma linda semana com certeza.

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  22. Guri Cheri, Boa Noite Pra Ti!!!
    Passei Por Aqui,
    Bastante Li,
    Nuito Aplaudi,
    E Feliz Parti!!!

    Bjão No♥
    Tenhas Tu Muita Inspiração!!!

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  23. Nossa! Que inspiração hein, fico aqui a imagina o que inspirou o poeta neste particular texto! Foi a solitária imagem da rosa neste mar solitário? Ou talvez tenha sido o tal vestido preto não muito apertado fonte de tão bela inspiração?
    Lindamente intenso este seu conto! Minha admiração de sempre!
    Uma linda e inspirada tarde!
    Lembranças...

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  24. Arnoldo,
    Você tem uma escrita muito bonita.
    E tem aqui (mais) um fã.
    Passo a ser seu seguidor.
    Abraço

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  25. Tem um bom gosto musical,amigo. Parabéns,. Abraços

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