Edicões Gambiarra Profana/Folha Cultural Pataxó




"Minha Poesia não usa vestes para se camuflar, é livre e nua" (Arnoldo Pimentel)

"Censurar ninguém se atreverá, meu canto já nasceu livre" (Sérgio Salles-Oigers)

"Gambiarra Profana, poesia sem propriedade privada, livre como a vida, leve como pedra em passeata" (Fabiano Soares da Silva)

"Se eu matar todos os meus demônios, os anjos podem morrer também" (Tenneessee Williams)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

EM NOME DE DEUS

Era manhã de sábado com sol forte, Carlos parou em frente a porta da sala e entrou
- Bom dia – disse para as duas colegas de setor
- Bom dia – responderam as colegas
Passaram uns cinco minutos e o telefone tocou, ele atendeu.
- Oi, bom dia, tudo bem, já iremos – disse ao telefone e virou para as colegas de setor.
- Estão nos chamando na outra sala, e pediram para levarmos nossas Bíblias.
As colegas se levantaram e foram para uma das outras salas da empresa, entraram e já encontraram outros colegas reunidos.
- Podemos começar ou falta alguém? – disse Sônia, que era a responsável.
- Falta a telefonista – disse uma das funcionárias
Sônia pegou o telefone e discou o ramal
- Você vai subir? – Perguntou, ouviu a resposta e desligou.
- Ela está subindo – disse para os presentes.
A telefonista entrou na sala, ao todo eram oito pessoas presentes.
Sônia tomou a palavra e disse para todos:
- Já trabalhamos juntos uns quatro meses, então eu, a Norma e a Lúcia que já nos conhecemos da matriz e frequentamos a mesma Igreja pensamos em fazer todos os sábado uma oração para louvar e agradecer a Deus por nossa semana de trabalho.
Todos acharam que seria muito bom.

- Todos estão com a Bíblia? – Perguntou Sônia
- Sim – um dos funcionários respondeu
- Vamos fazer um círculo para começarmos, e seremos breves.
As pessoas formaram um círculo, cada um com sua Bíblia.
- Estamos aqui em nome do Senhor, começaremos com o “Pai Nosso”, depois eu farei uma oração para dar início, depois o Batista, depois quem desejar e para terminar a Lúcia fará uma oração.
- Sônia,  posso fazer uma pergunta antes de nós  começarmos?  – Perguntou um dos funcionários.
- Claro Carlos – Respondeu Sônia
- Nós nos conhecemos a bastante tempo, apesar de trabalharmos juntos apenas uns quatro meses, somos oito nesta sala e todos frequentamos a Igreja, cada um a sua, e todos somos iguais perante Deus, correto? – Perguntou Carlos
- Sim, correto, somos todos filhos de Deus e a Ele devemos louvar – Respondeu Sônia.
- Então me responda por que a nossa colega e o nosso colega da sala ao lado, que são pessoas muito boas, e são ótimos profissionais não foram convidados a participar – Disse Carlos.
Todos fizeram silêncio.
- Se foi esquecimento eu os convido – Disse Carlos.
Depois de alguns segundos a Sônia respondeu:
- É porque eles devem estar muito atarefados.
- Olha, eu não vejo motivo para eles não serem convidados, todos nós estamos muito atarefados, prefiro achar que foi esquecimento e vou convidá-los – Disse Carlos
- Carlos – Disse Lúcia.
- Sim Lúcia pode falar – Disse Carlos
- Melhor não convidar, como a Sônia disse, eles devem estar muito atarefados.
Carlos olhou para todos e ouviu o silêncio, esperou uns segundos e disse:
- Bom, se é assim, eu também não poderei participar, voltarei para minha sala, pois estou muito atarefado.
Depois virou as costas e saiu.

Arnoldo Pimentel

Se você quer ler uma poesia bem diferente e de originalidade, conheça a poesia hermética dadaísta de Sérgio Salles-Oigers.
Sérgio Salles-Oigers é editor da Gambiarra Profana, poeta,compositor hermético dadaísta de plantão,  se desejar siga o blog e comente.
Passe o mouse logo abaixo e o link aparecerá.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

ARAMES

Minha poesia é cheia de lugares comuns
Com alguns quadros espalhados
Dias quase sempre nublados
Tijolos comuns assentados

Ela navega bem longe da filosofia
Pega algum violão emprestado
Às vezes sorri, às vezes chora
Às vezes tenho vontade de ir embora

De caminhar mundo a fora
Pegar carona numa música
Que me faça bem ao ouvir

Minha poesia é como folha solta no vento
Rasgada pelos arames farpados
Por muros que escondem o outro lado

Arnoldo Pimentel
 

Amigo(a) se ainda não teve a oportunidade de ler minha entrevista no blog da Anne Liere, visite o link abaixo


http://recantodosautores.blogspot.com/2012/02/recanto-entrevista-arnoldo-pimentel.html


quinta-feira, 29 de março de 2012

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

Entrou pela porta
Que sempre está aberta
Sentou-se em um dos bancos de madeira
Bem no canto, lá no fundo
E ficou quieta de olhos fechados
Bem vendados
Até o final sem final
E saiu
Sem receber um abraço
Ou ouvir
“Seja sempre bem vida em nossa casa”
Mas no fundo sabia
Que não caminharia sozinha
Sob as pedras
Na névoa

Amigo(a) se ainda não teve a oportunidade de ler minha entrevista no blog da Anne Liere, visite o link abaixo. Passe o mouse que aparecerá o link logo abaixo.

http://recantodosautores.blogspot.com/2012/02/recanto-entrevista-arnoldo-pimentel.html

quinta-feira, 22 de março de 2012

JUDAS



Judas ainda sorriu
E nem era mês de abril
Ou hora do café

Mas tinha na mão
Um pedaço de pão
Que alguém lhe deu

Afastou para o lado
O prato de comida
Onde havia cuspido há pouco
Sem ninguém perceber

Virou as costas
Deixando o beijo na boca
E a fala rouca
Deixando atrás da porta
A cortiça, oca
Deixando a tristeza habitar
A casa que quis lhe amar

E o vento apenas balançou a forca
Onde ficará o remorso
Que irá sentir
Depois que de suas andanças
Acordar

Arnoldo Pimentel

quinta-feira, 15 de março de 2012

ENQUANTO NOSFERATU PERCORRE A PAISAGEM DA SALA QUE FICOU ESQUECIDA NO VENTO

          O silêncio da noite espalha as folhas tímidas caídas das árvores que quase escondem a pequena casa branca com portas e janelas verdes, no fundo do quintal, prisioneira do seu próprio isolamento.
         O branco gelo das paredes um tanto úmidas da sala, se mistura com o preto e branco do “Nosferatu” de Murnau , onde a solidão é o próprio ar que respira, o coração que percorre as lembranças, o olhar que vagueia pela paisagem e move a mão em busca da garrafa que está sobre a mesinha de canto ao lado do sofá.

Arnoldo Pimentel

 
Esse conto faz parte da “Trilogia da Casinha Branca” caso o amigo(a) tenha um tempinho leia os outros dois nos links abaixo

 

MURMÚRIOS DAS ÁGUAS (Link poderá não aparecer por causa da cor, é só passar o mouse logo abaixo e aparecerá)



QUINTAL (Link poderá não aparecer por causa da cor, é só passar o mouse logo abaixo e aparecerá)

quinta-feira, 8 de março de 2012

POR TRÁS DOS BROTOS DE BAMBU

Gambiarra Profana no Cineclube Buraco do Getúlio em Nova Iguaçu RJ

POR TRÁS DOS BROTOS DE BAMBU


Eu não consegui ver
Ficava sempre olhando as estrelas
Sem poder ver as luzes
E suas penumbras

Porque as janelas estavam sempre
Fechadas
Porque as cortinas estavam sempre
Amordaçadas pelo vento
Que não se importava com as janelas
Fechadas

E você sempre sorria no ponto do ônibus
Parecia estar me esperando
Parecia brilhar mais que as estrelas
Parecia esticar as mãos

Eu deixava de olhar
Não sentia o tempo passar
Sua voz se calar

Ficava ouvindo
No rádio de pilha
As canções de amor
Que não traziam você
Que não me mostravam você
Que camuflavam você
Para eu não conhecer

quinta-feira, 1 de março de 2012

POEMA DAS NUVENS

                     Gambiarra Profana no Teatro do Sesc Nova Iguaçu RJ 2010 




                               
                Lançamento do livro "Nuvens" na EM Heliópolis em Belford Roxo RJ

POEMA DAS NUVENS

As paredes são feitas de outono
E abrir a porta é deixar o inverno entrar
O inverno e seus acalantos
E seus mantos

Pode-se olhar pelos vidros das janelas
E ver as árvores desabitadas
Sobre as folhas secas que se perderam
Ao tentarem a sorte nas veredas do parque

Pelas ruas alguns edifícios ainda são cinza
E o vulto do cigarro se esconde atrás
Da cortina de olhos sem vida

Os bancos solitários da praça
Também ilustram a paisagem
Do pequeno poema das nuvens

Arnoldo Pimentel