Edicões Gambiarra Profana/Folha Cultural Pataxó




"Minha Poesia não usa vestes para se camuflar, é livre e nua" (Arnoldo Pimentel)

"Censurar ninguém se atreverá, meu canto já nasceu livre" (Sérgio Salles-Oigers)

"Gambiarra Profana, poesia sem propriedade privada, livre como a vida, leve como pedra em passeata" (Fabiano Soares da Silva)

"Se eu matar todos os meus demônios, os anjos podem morrer também" (Tenneessee Williams)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

PAISAGEM DA LUA



      Eu morei no Brooklyn. Morei um bom tempo no Brooklyn. Tenho muitas fotos dessa época. Fotos das esquinas e com amigos que convivi. As fotos são todas em preto e branco. Gosto de fotos em preto e branco, acho que são mais reais, mesmo sabendo que talvez a realidade seja melhor na paisagem da lua. Tenho fotos de pessoas com sacolas atravessando a rua e fotos nos bares com amigos e nossas cervejas. Às vezes eu ficava perto da ponte, são muitas pontes, mas havia uma ponte diferente, era a ponte sobre as águas na parte do rio perto da curva onde enterram corações, onde enterram histórias e astronautas doidões. De um lado do rio ficava a estação de trem, parecia a estação onde se tocava gaita, de tão isolada que era. Do outro lado ficava a parada do ônibus que partia às cinco da manhã para Manhattan e só retornava as sete da noite. A parada do ônibus ficava na porta do bar onde eu e meus amigos bebíamos nossa cerveja ouvindo Joan Baez e declamando poesia. Numa noite dois parceiros cantaram uma música de autoria deles:  "Ela é minha Joa Baez, Eu sou Bob Dylan dela". É a última lembrança que tenho do bar na parada do ônibus, do tempo que eu não sei se volta mais.
       Eu morei no Brooklyn tantas vezes que nem lembro mais. Ainda passeio por lá algumas vezes, mas não tiro mais fotos, agora é tudo em cores e as fotos não são reais.

Arnoldo Pimentel

6 comentários:

  1. Tudo mudou.Até as cores das fotos...Lindo!1 abraços,chica

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  2. Arnoldo,a vida na verdade é preto e branco,tem razão! O colorido fica por conta do jeito da alma no dia que chega. Linda sua poesia e com saudosas lembranças. bjs,

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  3. oi Arnoldo,

    verdade as cores somos nós que damos,
    as vezes o máximo que conseguimos são alguns tons desbotados de cinza...

    beijinhos

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  4. As boas lembranças são guardadas para sempre, mesmo que não haja mais oportunidade de fotografar o momento.
    Obrigado pela visita
    Abraço

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  5. Bem interessante, Arnoldo. A relação das cores com o sentido do que é real. Um pouco triste também. Gostei muito.

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  6. Muito bom o seu texto de memórias.
    Fotos e lugares sempre recordam o passado com saudades.
    Agradeço a sua visita! Beijos

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