Edicões Gambiarra Profana/Folha Cultural Pataxó




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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

REFLEXOS EM GOTAS DE CHUVA




                                              
 Se o amigo(a) tiver um tempinho leia minha entrevista no blog da Anne Liere
 
 http://recantodosautores.blogspot.com/2012/02/recanto-entrevista-arnoldo-pimentel.html

REFLEXOS EM GOTAS DE CHUVA
Autor: Arnoldo Pimentel

                                                  
- Mãe, onde está o papai? Perguntou a filha mais nova
- Está viajando a trabalho – Respondeu a mãe
- Na escola também tem outros pais viajando, pra onde vão? – Disse o filho mais velho
- É melhor vocês jantarem – Disse a mãe já impaciente com as perguntas
Na mesa de jantar estavam a mãe e os três filhos, o filho do meio estava sempre quieto, não falava muito, ficava anotando coisas ou olhando o céu.  Terminaram o jantar em silêncio, a mãe recolheu as coisas da mesa com a ajuda dos três.
- Fiquem um pouco na sala enquanto lavo a louça e depois vamos dormir.
Os três foram pra sala e sentaram-se pelo chão
- Sinto falta do papai – disse a menina
- Dizem que os homens viajam pra guerra e alguns não voltam – Disse o mais velho
- Ele voltará – disse a mãe entrando na sala – Todos para quarto
Todos foram se deitar, a mãe apagou as luzes, desceu a escada, acendeu o abajour que ficava no criado mudo ao lado do sofá, onde sentou e ficou olhando o céu pela janela e imaginando seu esposo, se estaria bem tão longe, no pacífico. Ali ficou a esperar, como todas as noites, até o sono entrar pela janela, que sempre ficava aberta, e assim levantar-se, fechar a janela e também se recolher. O dia amanheceu e os irmãos foram para a escola, que já não tinha alegria há algum tempo, os alunos tinham olhares órfãos e alguns já eram órfãos, mas o dia estava diferente dos outros dias, as flores pareciam ter vida. A tarde chegou e os irmãos voltaram para casa, a mãe estava na porta da frente, dessa vez com um sorriso aberto.

- Que houve mamãe? Perguntou o filho do meio
- Entrem
Os irmãos entraram
-  A guerra acabou, vamos preparar a casa pro papai
- Quando ele vai voltar? – Perguntou a menina
- É, Quando? Hoje? – Perguntou o mais velho
- Eu não sei, mas logo entrará pela porta de braços abertos para abraçar vocês

Naquela noite quase não dormiram, ficaram brincando, cantado, contando histórias e ouvindo histórias.

- Mãe, papai vai trazer presentes? Perguntou a menina
- Eu quero uma boneca – Completou
- Quero uma bicicleta – Disse o mais velho
- Eu quero telescópio – Disse o do meio, que gostava de olhar estrelas e escrever
- E você mamãe, o que quer? Perguntou a menina
- Voltar a ser feliz com vocês

- Escrevi um poema pro papai – Disse o do meio
- Mostra, leia para nós – Disse a mãe

O menino tirou um papel meio amassado do bolso, ficou de olhos baixos, meio tímido

- Vamos leia, depois vai ler pro papai – Disse a mãe

Ele tomou coragem, abriu o papel
“ Choro de saudades papai
Por que você não volta?
Todo dia te espero
Todo dia te espero
Te ver entrar pela porta
É o que mais quero”

A mãe não conteve as lágrimas, abraçou os filhos e os levou para dormir. Agora que a guerra acabou era só esperar o homem que tanto amava voltar, enquanto isso iria sonhar com os dias que estavam por vir.

Era sábado e o sol já ia alto na pequena cidade do meio oeste, a mãe estava lavando roupas nos fundos e os filhos na sala quando um carro parou na frente da casa.

- Deve ser o papai – Gritou o mais velho
A menina foi chamar a mãe que veio apressada enxugando as mãos no avental
A mãe chamou o filho do meio
- Pegue o poema pro seu pai
O menino tirou o poema do bolso, estava sempre com ele, pronto para ler e ficou de pé do meio da sala.
- Espere até ele entrar
- Tá bom mamãe
Ela abriu a porta e viu três homens de uniforme
- Senhora Mary Doe
- Sim
-  A senhora é esposa do Ten. Doe
- Sim, o que houve? Quando meu esposo voltará? – Disse ela sentindo um tremor nas pernas, um aperto no coração
- Nós sentimos muito senhora.



11 comentários:

  1. Que triste! Sabemos que é a realidade por muitos enfrentada, mas isso nunca levará aos que sofrem perdas, a conformação.

    Bjs.

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  2. Meu lindo amigo!
    Estive no recanto sim e deixei todos os confetes para ti,pois mereces...
    Seu texto é magnifico e bem redigido...
    bjssssssssssssssssssssssss

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    Respostas
    1. Triste e real. Uma pena!
      Satisfação em vo0ltar aqui.
      Mais tarde, ainda hoje, terei tempo para sua entrevista Arnaldo.

      Bjs

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  3. um texto lindo e comovente mas achei muito triste meu amigo fico muito deprimida quando leio contos tristes vi sua entrevista na anne achei linda parabens voce é um poeta amigo especial
    merece todos os aplausos deixo um abaço com carinho marlene

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  4. Muito bonito, mexe muito com a gene seu texto.
    Hj li sua entrevista e tive a oportunidade de conhecê-lo um pouco mais Arnaldo.
    :D

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  5. Arnoldo,muito bonito seu conto me emocionou pelo final inesperado!Bjs e boa semana!

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  6. Os finais nem sempre são felizes, mas o conto é muito bom mesmo, querido.

    Vou lá ver sua entrevista...

    Um beijo.

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  7. Lindo conto. Já ví sua entrevista e achei muito legal. Forte abraço.

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  8. Olá,Arnoldo!!

    Que conto lindo!!!!Tão triste,mas lindo!
    Deu para sentir a ansiedade e dúvida na espera, e dor no final...puxa, emocionante!
    beijos!Tudo de bom!

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  9. Que belos, todos tão belos. Beijinhos carinhosos.

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